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20 de Outubro de 2020

Pandemia: número de mortes no trânsito permanece alto, apesar da queda de tráfego nas ruas

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Delegada Daniela Lima: a segurança é responsabilidade de todos



 

Sergipe registrou uma queda de 15,4% nas mortes por acidentes de trânsito comparando o período entre janeiro e setembro de 2019 e 2020. Os dados são da Delegacia Especial de Delitos de Trânsito (DEDT), que mostrou uma redução de 39 para 33 mortes de um ano para outro. Da mesma forma, ocorreu com os registros dos inquéritos policiais por embriaguez ao volante. Uma queda tímida se comparar os primeiros nove meses de cada ano, de 145 para 138 casos.

 

Diferente do esperado pela titular da DEDT, delegada Daniela Lima, a pandemia e um fluxo menor de veículos e pedestres nas ruas não refletiram nos números de mortes no trânsito. “São números altos, considerando que nós vivemos desde março uma situação de isolamento social. A impressão que se tinha antes da flexibilização quando transitávamos na cidade era de um tráfego menor de veículos e pedestres. E, isso, nos induzia a imaginar que nós teríamos este ano um número de registros menor”, comenta.

 

Para a delegada, os maiores motivos de acidentes são provocados pela negligência e imprudência. Já o homicídio culposo de trânsito, em geral, é causado pelo descumprimento de regra no dever de cuidado. “Os maiores crimes acontecem pela falta de educação no trânsito por todos que trafegam, seja o motorista, ciclista ou pedestre. Existe um desconhecimento das regras e, por isso temos uma falha na educação para o trânsito. Mas existe também um traço, talvez de nossa cultura como comunidade, de descompromisso com a segurança para todos. E nós brasileiros negligenciamos este dever, porque agimos individualmente e não como comunidade”, alerta.

 

Com este comportamento, a embriaguez ao volante também continua sendo o maior crime de trânsito registrado pela delegacia nos últimos anos. “Os números da embriaguez ao volante seguem na liderança recorrente na Delegacia Especial de Delitos de Trânsito. Por mais que ao longo dos anos, desde a aprovação da lei seca, exista uma maior conscientização e diminuição dos números, eles ainda são muito altos. Somente de janeiro a setembro deste ano foram registrados 138 casos. Sendo que oito deles foram lesão por embriaguez”, ressalta Daniela Lima.

 

Cuidados

Além de estar informado das regras de trânsito, a delegada ressalta a importância do condutor e pedestre terem a consciência que a segurança é de responsabilidade de todos. “Pensar individualmente só vai gerar sofrimento e dor. É muito comum que conheçamos alguém que tenha morrido, ou ficado lesionado em algum acidente de trânsito. Nós só pensamos em nosso interesse, em nosso problema, eu não temos a preocupação com o que a lei chama de Obediência ao Dever de Cuidado. Os transportes e a facilidade no deslocamento são um dos presentes da modernidade, mas a tecnologia também traz riscos. Quando assumimos estes riscos, precisamos também fazer um pacto como comunidade que a gente vai usar esta tecnologia, mas também vamos observar o dever de cuidado”, explica.

 

Sequelas

Nas estatísticas da DEDT o jovem/homem é a vítima preferencial em homicídio doloso e culposo de trânsito. Assim também, como por lesão corporal culposa de trânsito. “O Brasil hoje é um país de jovens sequelados, e em nosso Estado não é diferente. Vem ocorrendo um genocídio de uma geração de jovens e, muitos dos sobreviventes permanecem sequelados. Pela organização de nossa sociedade, o homem jovem circula mais [usa mais carros e motos] e também costuma ser o mais negligente”, alerta a delegada Daniela Lima, lembrando que esta geração poderia ser de homens produtivos, mas eles estão nas estatísticas do Ministério da Saúde e INSS. “Um custo muito alto para a vítima, a família, como também, para as repercussões no trânsito e no INSS”, lamenta.